Este blog é para mim um exercício e desafio pessoal de registrar com palavras escritas minhas vivências e idéias sobre dança, em especial sobre as danças de salão.
19 de março de 2011
4 de março de 2011
O Pará sempre fez o Brasil dançar!
Em janeiro deste ano tive a minha primeira experiência amazônica conhecendo Belém do Pará. Durante oito dias de programação intensa, pude conhecer não apenas os pontos turísticos como também um pouco da riqueza cultural deste lugar que conquistou meu coração. Agradeço ao meu amigo Yuri Nuñez e sua família que me acolheram em sua residência e também a seus amigos pelos bons e inesquecíveis momentos vividos.
De quebra conheci um pouco do que se dança no Pará. No passeio de barco pela orla fluvial ao entardecer assisti a apresentações de danças folclóricas. Gostei especialmente do Carimbó, que originou a lambada, e do Lundu, que marcou a forma de se dançar a dois do povo brasileiro. Veja abaixo dois vídeos das apresentações que acontecem no barco.
Eu tinha um interesse especial: conhecer o brega, expressão das danças sociais a dois muito popular no Pará. Pelo que entendi, há basicamente dois tipos de ambientes onde se pode dança brega: os bailes da saudade e as festas de aparelhagem. Meus amigos gentilmente me levaram num Baile da Saudade no Bar Botequim. Foi lá que tive minha primeira experiência amazônica dançante.
Nos Bailes da Saudade dança-se de tudo um pouco: desde o flash brega, que é mais forte, até a discoteque, passando pelo pagode, lambada e música lenta, mantendo a originalidade da música na hora de dançar. Já as festas de aparelhagem, que contam com estruturas de grande porte que lembram uma nave espacial e onde os DJs são as estrelas da festa, rola mais o tecnomelody, brega eletronicamente modificado, inclusive mais acelerado.
De todas as formas de dançar a dois que já experimentei até hoje, o brega é de base rítmica mais rápido: tomando por base um compasso quaternário, enquanto a base rítmica do soltinho é representado por semínima-semínima-colcheia-colcheia-semínima (1-2-3-e-4), o brega é representado por colcheia-colcheia-semínima- colcheia-colcheia-semínima (1-e-2 - 3-e-4). Em outras palavras, enquanto no soltinho fazemos cinco movimentos por compasso, no brega fazemos seis. Detalhes: o andamento do brega é muito mais rápido. Haja fôlego, mas isso os paraenses mostraram que têm de sobra!
Como minha experiência com o brega foi muito pontual, decidi pesquisar na internet sobre o tema para construir este texto. Segundo o professor e coreógrafo Marcelo Thiganá, o BREGA é uma expressão da dança de salão que se originou Belém, capital do Estado do Pará, região de grande pluralidade cultural.
Thiganá acredita que a expansão pelo interior do Estado se deu pela com o advento das "aparelhagens" da capital, o que ajudou a formatar os passos da dança, numa simbiose entre as danças caribenhas e os movimentos tribais amazônicos de festejo. Ele ainda faz um resumo de algumas características dessa expressão cultural:
- Influência musical: ritmos caribenhos e norte-americanos;
- Cantores influentes: Elvis Presley, Rita Pavone, Paul Anka, Neil Sedaka, Jery Lee Lewis;
- Influência dançante: danças caribenhas, danças nativas e folclóricas amazônicas;
- Dançarinos antigos: Seu Pimbinha (bairro do Jurunas), Juvenal do Sapato Branco e D. Carmelita (bairro da Pedreira), Guerreiro (bairro do Guamá), Neguinha do Babado (bairro do Coqueiro);
- Primeiras casas noturnas (Bregões): Juventos, Estrelinha, Pedreirinha, Bar São Jorge, Batistão e Changrislar;
- Indumentária básica: Para as mulheres, saias floridas e blusa "tomara-que-caia"; para os homens, sapatos, cinto, calça branca e camisa vermelha e/ou estampada.
O nome BREGA é proveniente das casas noturnas que tocavam esses ritmos, conhecidos como "bregões", denominação chula para o que era considerado cafona. Dessa forma, o brega se proliferou nas camadas menos favorecidas, entre os freqüentadores das zonas portuárias, redutos de prostituição e da boemia. Segundo Edson Coelho de Oliveira na década de 80 o brega ganha a designação americanizada de calypso para fugir à conotação pejorativa que por três décadas o estigmatizou no andar de cima da pirâmide social brasileira. Entretanto, atualmente a classe média “bem nascida e bem-vestida” parou de torcer o nariz para o tecnobrega e passou a freqüentar as festas de aparelhagem.
As escolas de dança de salão de Belém oferecem aulas de brega, coisa que ainda não acontece aqui em Salvador em relação ao arrocha. Abaixo alguns vídeos de casais dançando tecnobrega.
http://sites.google.com/site/bregapop/historia_do_brega
22 de fevereiro de 2011
Quem não tem cão caça com gato!
Uma amiga minha de Sampa postou este video no facebook e eu, amante da dança e do teatro de animação simplesmente amei! John Herman Raigoza faz uma performance dançando com duas vassouras no espetáculo "Episódios de Tango", apresentado em Nova Friburgo. O espetáculo reuniu teatro, música e dança num monólogo musical apresentando Olívia Teixeira, ganhadora do Prêmio El Tango de Oro José Quelada.
Problemas de Gênero nas Danças Sociais a Dois
Durante o ano de 2009 tive a oportunidade de estar inserida em três disciplinas que tratavam do tema sexualidade e gênero, sob a orientação dos professores Fernando Passos e Antrifo Sanches. Tal tema, relacionado às danças sociais a dois, vinha despertando meu interesse desde 2006, quando inclui na minha maneira de dançar a atitude de interferir na dança conduzindo os cavalheiros.
Recentemente, postei a seguinte pergunta para os membros do grupo RITMOS 3, do facebook: que padrões da dança de salão vc acha que deveriam ser conservados e quais deveriam ser mudados? Muitos membros responderam que “mulher não deve conduzir”. Então, me lembrei de uma outra discussão que aconteceu ano passado a partir de um texto postado por Luciana Guinle e que rendeu muitos comentários e acessos. Minha idéia era elaborar um texto com base nos comentários, mas decidi que seria melhor, para quem interessar possa, lê-los na íntegra.
http://www.soulzouk.com/pt/em-foco/noticias/483-a-guerra-dos-sexos-no-zouk.html
Você já parou para refletir sobre o tema? Qual a sua opinião?
Zouk, Nosso Único Remédio!
Passeando pela internet encontrei este texto sobre ZOUK, postado por Jamilly Will. Não sei se é seu nome verdadeiro ou mesmo se o texto foi de sua autoria ou retirado de outra fonte. De qualquer forma, achei interessante e resolvi postar aqui no blog, juntamente com o video ZOUK, NOSSO ÚNICO REMÉDIO.
O zouk é um gênero musical originário das Antilhas. Está presente em vários ritmos brasileiros e sempre teve grande influência na região norte do Brasil, especialmente no Pará e Amapá. Este gênero, praticado nas Antilhas francesas (Martinica e Guadalupe), na Guiana Francesa e também em Santa Lúcia, tem forte presença nos P.A.L.O.P. Nos países de expressão francesa ele é cantado, principalmente, em crioulo. Estudos acreditam que a sua base rítmica pode ser oriunda da cultura árabe[carece de fontes?]. Esta mesma base é encontrada em vários países como Espanha e Portugal, no mundo árabe, no continente africano e em praticamente toda a América.
Em uma das versões sobre o surgimento da música zouk é afirmado a criação para divulgar a Martinica e ter, assim como teve em Cuba, influência cultural em toda a América Latina[carece de fontes?]. O ritmo se espalhou pelo mundo, em diversos lugares, inclusive no Brasil, muitos passaram a acreditar que a música e a dança seriam francesas. Tanto que por algum tempo, quando a moda de dançar lambada estava em seu auge, o zouk era chamado de lambada francesa.
Zouk - que significa festa - é uma dança praticada no Caribe(passada), mais frequentemente nas ilhas de Guadalupe, Martinica e San Francisco. Assim como o merengue o zouk é dançado trocando-se o peso basicamente na cabeça dos tempos musicais (o que muitos professores de dança chamam simplesmente de tempo). No Brasil, utiliza-se o ritmo Zouk para dançar uma dança 100% brasileira. Ela é oriunda da lambada, porém, com movimentos mais adaptados ao andamento da música. A lambada era muito rápida e frenética, praticamente impossibilitando muitos passos que existem hoje.
A dança zouk tem hoje vários estilos entre eles o Tradicional, o Zouk Flow, o Soulzouk, o Neozouk e o Revolution. É preciso ter muito cuidado para não confundir a música com a dança. A dança zouk pode ser dançada com diversos ritmos: kizomba, cabolove, Hip hop, R&B Contemporâneo, Reggaeton, dancehall e Raggajam.
Os principais pólos do zouk são: Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Norte do Paraná, Amsterdã, Barcelona, Palma de Mallorca, Brisbane, Sidney, Zurique. Há também um público crescente no sul do Brasil, em especial na capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, onde já existem muitas academias que ministram aulas do ritmo e onde também já existem locais para dançar ao som do Zouk. A lambada (tradicional, dos anos 80) no estilo de Porto Seguro resiste em locais como São Paulo, Porto Seguro, Arraial D´Ajuda, Londres, Buenos Aires. Por sua vez, lambada tem uma fortíssima influência do cubano merengue.
A dança zouk do Caribe(passada) está em muitos lugares como França, Inglaterra, São Tomé e Príncipe. A dança Kizomba, parecida com a dança zouk é febre em Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal. Mas estas, nada tem a ver com o zouk dançado no Brasil. O Zouk também foi uma influência muito forte em outros estilos como o Ragga jamaicano, o Kuduru angolano, o Funaná de Cabo-Verde, etc.
Existem um grande número de produtores e Dj de Zouk espalhados pelo Brasil. O pioneiro na produção em grande escala de Zouk Eletrônicos ou Remix, foi o professor Marcos, no Rio de Janeiro, mais conhecido como Mafie Zouker, criador da Equipe ZNL (Zouk Night Love). No Rio de Janeiro, se destacam também como Dj, Bruno Arkanjo, Daniel LowRider, Leandrow DJ, dentre outros.
Existem Dj's de renome em outros estados do Brasil, como em Minas Gerais, (Dj Rafa, Dj Roudg), Brasília (Dj Max BlackSoul, Dj K-Yo Soulzouk, Dj Blue Eyes, Dj Israel Szerman), Bahia (Dj Paulão). Grande parte deles presentes em praticamente todos os eventos e congressos de Zouk Nacionais.
3 de janeiro de 2011
ROSAS DANST ROSAS
25 de dezembro de 2010
21 de dezembro de 2010
HIZAM
Este foi um 56 videos sugeridos pelos professores de EPC IV que falei no texto anterior. Pretendo postar aqueles que me despertaram um interesse especial, e tentar explicitar o quê neles me chamou a atenção.
Não consegui mais informações sobre esse vídeo na internet. Sei apenas que este trecho foi apresentado no Teatro de Chaville, na França. A técnica usada é a improvisação por contato, mas não poderia afirmar se há improvisação foi utilizada no processo de investigação ou também durante a apresentação no Teatro. Amo improvisação por contato como método investigativo em dança. Neste trabalho pode-se observar a predominância da ação “rolar”. Os movimentos são lentos, suaves e contínuos, com alguns momentos estáticos onde a dupla encontra pontos de equilíbrio.
2010-2: Avaliando o meu primeiro semestre como aluna regular
No segundo semestre de 2010, como já estava participando das oficinas de criação de figurino e criação de trilha sonora até outubro, resolvi cursar apenas duas disciplinas: Estudos Críticos Analíticos IV (ECA IV) e Estudos dos Processos Criativos IV (EPC IV). Apesar de estar inserida na Escola de Dança como aluna especial desde 2007, este foram os primeiros dos quatro componentes dos respectivos módulos. Do jeito que vai, estarei cursando os componentes do primeiro semestre quando for concluinte! Até então, não vejo problema nenhum que seja assim.
Como nos semestres anteriores, o time de professores contou muito para a minha escolha. À frente de ECA IV estava Fernando Passos, meu professor durante 2009, e Lúcia Matos, da qual apenas tinha ouvido falar em termos de competência e exigência. Já em EPC IV foi Sérgio Souto quem determinou minha escolha, pois tenho especial interesse nos conteúdos musicais que já sabia serem a sua especificidade. Aroldo Fernandes eu não conhecia e qual não foi minha surpresa ao ganhar David Iannitelli de “brinde”, posto que até o momento da matrícula ele não estava previsto como professor da turma. Tenho grande afinidade pelas pesquisas de David, além de admirar sua dedicação para com os alunos e para com a Escola. Em 2008 tive a feliz oportunidade de fazer parte de um grupo de estudos sobre improvisação por contato nas danças de salão com ele, e para mim foi muito produtivo.
Minhas Expectativas
ECA IV transcorreu dentro das minhas expectativas, embora tenha sido muito prejudicada devido aos feriados e “enforcados” deste semestre. Dessa forma, o tempo teve que ser otimizado para abordar o conteúdo proposto: tivemos discussões sobre etnografia e prática artística, leitura e discussão de três textos (grandes e densos), exercícios individuais e coletivos e apreciação de registro em vídeo de algumas obras de dança. Essa foi minha principal insatisfação, já que estava ávida principalmente por esta atividade. A dupla Lúcia e Fernandinho, pessoas tão diferentes conseguiram equilibrar suas qualidades.
Minha expectativa geral para EPC IV foi a de um lugar para experimentações de composição em dança de uma forma ampla, ou seja, que contemplasse não só o estudo de movimento e espaço, como também pensar e experimentar seus diversos elementos cênicos, como iluminação, cenografia, trilha sonora, maquiagem, figurino, dentre outros. Entrei disposta a experimentar, sem direcionamento em nenhum projeto específico.
Se ECA IV foi marcada pela racionalização dos conteúdos, EPC IV aconteceu um verdadeiro dilúvio! O trio harmonioso e animado trio Sérgio-Aroldo-David não economizou na hora de oferecer opções para investigações corporais, usando a diversidade de seus conhecimentos específicos para multiplicar a oferta de pontos de partida que em determinado momento me deixou desnorteada por achar que eu deveria acumular todas as experiências numa mesma coreografia.
Foram disponibilizados 13 textos para leitura (dos quais li até hoje oito) e 56 links do youtube (dos quais assisti 30 até hoje), fora os vídeos vistos em sala de aula. Além disso, tivemos informações sobre iluminação cênica, maquiagem artística e um bate-papo sobre criação de figurino com meu muito querido Miguel Carvalho.
Todos as atividades propostas foram pertinentes e interessantes para mim. Lamento a crise que se abateu no meu grupo inicial, e que me levou a preferir me engajar no solo da colega Lucimar, colaborando na criação de luz, figurino, maquiagem e trilha sonora, áreas nas quais participei de oficinas durante este ano e que acredito que venha a ser uma boa oportunidade de por em prática os conhecimentos adquiridos.
Enfim, mais um semestre que termino cansada mas satisfeita!
8 de dezembro de 2010
Análise crítica do vídeo dança FF►►
Idealizado por Letícia Nabuco e Tatiana Gentile, FF►► foi um dos cinco vídeo danças selecionados na edição 2006-2007 do programa Rumos Itaú Cultural Dança Cultural. Através de uma seqüência de movimentos contínuos e lentos no nível baixo,os intérpretes Letícia Nabuco e Marcello Stroppa mantêm a mesma direção e velocidade e ao som de um tema de jazz vão “avançando” por diversos ambientes urbanos da capital carioca, construindo uma relação espaço-temporal ao mesmo tempo dinâmica e lenta, situação somente possível dentro da realidade virtual deste tipo de obra tecnológica.
Os dançarinos utilizam na sua composição coreográfica as mesmas ações básicas de engatinhar, rolar, agachar, deslizar, levantar e abaixar, porém executadas de formas e combinações diferentes. As especificidades dos ambientes onde a dança acontece determina pequenas variações na ordem e duração dos movimentos de ambas das seqüências. E dessa forma, em aproximadamente seis minutos, os dançarinos “avançam” diferentes locais de passagem da cidade do Rio de Janeiro, como ruas, viadutos, praias, praças, lanchonetes, floriculturas e parques.
FF►► parece propor reflexões sobre a relação espaço-temporal entre corpo e ambiente urbano. Os movimentos lentos e contínuos dos dançarinos contrastam com os ambientes por onde eles passam cujos obstáculos parecem ser incapazes de interromper o desenvolvimento de suas coreografias. A opção por um tema jazzístico como trilha sonora colabora com a idéia de tempo contínuo e lento, tanto pelas características musicais quanto por eliminar grande parte da sonoridade própria de tais ambientes (com exceção do início e do final). A edição das imagens cuidou em preservar a continuidade da seqüência coreográfica, aproximando os ambientes. Desta forma, o tempo lento da execução musical e coreográfica contrasta com a velocidade do avanço geográfico, algo somente possível no mundo virtual.
Linguagem artística surgida das relações entre o cinema e a dança, o videodança possui especificidades próprias. Ivani Santana em “Esqueçam as fronteiras! Videodança: ponto de convergência da dança na cultura digital”, (citada em Souza 2009), propõe que a videodança seja compreendida como “um ponto de convergência, de onde, a partir de mediações entre linguagens, emerge uma nova”, pois ainda que determinada obra seja feita a partir de uma coreografia pré-existente à captura, sua configuração como videodança se dará a partir de um entrelaçamento de linguagens, o que a tornará pertencente a um novo meio.
Não cabem, portanto, comparações ou afirmativas preconceituosas como “o vídeo é utilizado para camuflar a falta de habilidades corporais”, uma vez que se trata de meios diferentes, e que requerem habilidades diferentes. Como diz Souza (citada em Souza 2009), “assim como não basta colocar um corpo em cena e dizer que é dança, não bastam imagens de um corpo em movimento para caracterizar a videodança”. Dessa forma, esta autora sugere então uma compreensão de videodança a partir do diálogo entre a dança e a tecnologia, propondo “um universo novo que não existe em outro lugar que não seja o espaço de criação, dado por três momentos espaço-temporais: corpo, câmera e montagem”.
A discussão do corpo na videodança envolve tanto sua relação com a câmera quanto a questão da materialidade. O corpo virtualizado na imagem pode ser reconfigurado e manipulado através de abordagens diversas. Este corpo não é obrigatoriamente humano ou mesmo antropomórfico. Entendendo a corporificação da informação como sua materialização no mundo físico, a corporificação da videodança se dá na mídia. Doulgas Rosenberg em “Notas sobre a dança para câmera e manifesto” (citado em Grotto e Silva, 2010) lança questionamentos do tipo “o que ocorre quando o corpo é o instrumento que inscreve sua própria imagem em um filme?” e diz, ainda, que “a dança para câmera recupera corpos mortos, reinventando-os e recorporalizando-os”. O corpo que se desmancha só fará sentido na obra em questão, enquadrado pela câmera e relacionado aos elementos descritos.
No vídeo dança o corpo é problematizado e discutido no domínio da dança, o que traz a esta discussão um olhar específico. Para Grotto e Silva (2010), faz-se necessário que tal olhar parta não somente da dança e nem que se reduzida a ela.
Não se pode colocá-la como protagonista da interface dança-vídeo, observando apenas a modificação de suas estruturas coreográficas, formas de movimento na tela, papel e conceito do bailarino, etc. O que vemos na maioria das problematizações teóricas acerca do vídeo dança é a referência ao vídeo apenas como uma simples ferramenta, sem voltar-se às suas especificidades enquanto mídia audiovisual, insistindo na idéia de que a dança ainda é a parte principal do híbrido.
(GROTTO, SILVA, 2010, p.5-6)
Os autores também alertam ainda sobre o potencial deste tipo de obra tecnológica para revelar a dança em espaços distintos dos tradicionais. “A possibilidade de montar uma coreografia em um banheiro, numa praça e registrá-la em vídeo e lançá-la para o público é uma maneira de colocá-la em outros lugares. E esse deslocamento simbólico parece ser uma metáfora dos novos contextos sociais, dos quais a dança passa a ocupar quando da sua interação com as novas tecnologias”. Além disso, esse tipo de mídia permite que a dança se torne um evento artístico possível de ser recebido por grandes massas, provocando alterações na relação emissor-receptor envolvida na dança.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FF►►. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=vxIseze3VSQ Acesso em: 11 nov 2010.
GROTTO, Valdair. SILVA, Diego. Vídeo, Dança e Comunicação e suas ligações com mídia. Goiânia: Universidade do Estado do Mato Grosso, 2010.
SOUZA, Isabel C. Especificidades da Videodança: o hibridismo, experiência tecnestésica e individualidade no trabalho de jovens criadores brasileiros. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2009)
Resumo da resenha crítica sobre o vídeo dança FF►►, elaborado pelas licenciandas em dança Evie Souto Miranda e Carolina Luisa Bastos Santos, como quarta avaliação parcial do módulo Estudos Críticos Analíticos IV, orientado pelos professores Fernando Passos e Lúcia Matos (UFBA: Salvador, 2010-2)FF►►
Painel Performático da Escola de Dança da UFBA chega a sua décima sexta edição
12 de novembro de 2010
A Pesquisa Etnográfica na Prática Artística

15 de outubro de 2010
Estudos do Corpo II: Aulas com Odailso Berté
11 de outubro de 2010
Damas de Ouro: Luzes, Cores e Movimentos
Neste primeiro semestre de 2010 fui agraciada com a oportunidade de estar em contato com quatro mulheres incríveis, que na qualidade de minhas mestras, generosamente compartilharam comigo seus conhecimentos e experiências de vida. Este texto é uma homenagem às estas quatro damas de ouro: Fernanda Paquelet, Marie Thauront, Lenira Rengel e Gilsamara Moura, e se complementa com o vídeo postado abaixo.
Tudo começou no segundo semestre de 2009, quando a Malaquias aqui “cismou” que iria escrever um projeto para o Yanka Rudzka, edital anual da Fundação Cultural da Bahia para montagem de espetáculos de dança no Estado da Bahia. Quebrei a cabeça e consegui escrever o projeto, que apesar de boa fundamentação teórica, não foi selecionado. Entretanto, este exercício foi de fundamental importância para que eu pudesse perceber que necessitava conhecer algo das áreas técnicas das artes cênicas.
Fernanda Paquelet, sempre de alto astral!
Em fevereiro recebi um email do Ponto de Cultura Gamboarte onde anunciava oficinas gratuitas de iluminação cênica, cenografia e interpretação. Escolhi a primeira, tanto pelo horário quanto pelo meu encanto pela luz. Consegui pegar a última das 20 vagas oferecidas. O curso foi coordenado por Fernanda Paquelet, carioca-baiana atriz, diretora e iluminadora.
Paquelet, como a chamávamos, é uma das pessoas mais bem humoradas que conheci. Concordo quando diziam que é impossível alguém não gostar dela. Simples, competente, acessível, divertida, irreverente, descontraída, cabeça-fria. Suas aulas, recheadas da sua filosofia do bem-viver, passavam rápidas de tão agradáveis e interessantes que eram. Graças a seu bom relacionamento, tivemos visitas ilustres, como Marcelo e Luiz Marfuz, Irma Vidal, dentre outros, além de uma visita ao TCA guiada pelo chefe de palco Marquinhos.
Na expectativa que chegassem os novos refletores do Teatro Gamboa, nos concentramos mais nos exercícios de criação de luz. A parte de montagem e operação ficou para o final e devido à férrea disputa pela oportunidade de montar/desmontar e operar, eu optei por não me desgastar neste processo. Pela quantidade de conteúdos a serem explorados, essa oficina merecia outros três meses.
Marie Thauront, toda paciência e gentileza!
Foi um colega da oficina de iluminação quem me falou sobre o Curso de Maquiagem Artística a ser ministrado por Marie Thauront, maquiadora francesa radicada na Bahia, uma profissional de grande reconhecimento no meio artístico, contemplado por um edital da FUNCEB e por isso gratuito. Imediatamente fiz minha inscrição, mas logo soube que houvera uma inscrições (só na minha turma eu era a 40ª de uma lista de 180 inscritos para 15 vagas). A Malaquias aqui então cismou e cismou, mandou email, pediu por telefone e, apesar de todos os gentis “nãos” recebidos de Marie, lá estava eu, usando a minha melhor e mais lustrada cara-de-pau no primeiro dia de aula.
Não sei por que cargas d’água, imaginei que uma “maquiadora francesa” como uma mulher alta, de cabelos vermelhos, sempre maquiada, de voz aguda estridente, sujeita a ataques de histeria. E lá estava Marie, pequena, tranqüila, com sua voz suave, vestida de forma simples e, pasmem, de cara limpa! Nem um batonzinho pra contar história!
Tanto insisti que consegui sua concessão para assistir as aulas como ouvinte durante o primeiro mês. Caso faltasse alguém, poderia fazer a prática. Foi então que comecei a desejar sordidamente que todo dia alguém faltasse. E toda aula meu desejo ia se realizando, e eu fui praticando até que, no final do mês recebi a notícia de havia sido efetivada. Juro que me deu vontade de sair pulando pela sala.
O curso foi maravilhoso tanto no conteúdo, como nos materiais que pude conhecer e experimentar. As 120h passaram voando e deixou vontade de quero mais. Marie conquistou minha admiração por sua competência como profissional e mestra, pela sua grande paciência, pelo cuidado em nunca desvalorizar nossos resultados (por vezes tão toscos) e, especialmente por me acolher em seu curso.
Lenira Rengel e Gilsamara Moura, energia pra dar e vender!
Por sugestão do meu queridíssimo professor Antrifo Sanches, investi meu último crédito como aluna especial na disciplina Estudos do Corpo I do curso noturno, sob coordenação de Lenira Rengel e Gilsamara Moura. “ - Elas são maravilhosas, você vai ver!”, foram as palavras de Antrifo para descrever essa dupla dinâmica (e põe dinâmica nisso!). Duas paulistas ligadas no 220v, chegadas a pouco mais de um ano , trazendo na bagagem muita vontade de fazer. JUMP!
Técnicas de ballet clássico, Cunningham e power yoga, dentre outras, foram propostas para condicionamento físico e estudos corporais. Investigações sem ter a virtuose, como meta, sem ficar se comparando ou disputando quem é o melhor. Preocupação com a compreensão de cada detalhe, do que porquê daquilo que se está fazendo e não apenas fazer. Rigor e tolerância caminhando lado a lado, buscando uma compreensão contemporânea do corpo, da dança, da educação. Conhecimentos que se complementam e diversificam as atividades, tudo isso com som ao vivo e grilos e pererecas, de cigarras e abelhas, que foram carinhosamente incluídos na nossa coreografia para o XV Painel Performático da Escola de dança da UFBA. É muito bom quando o trabalho em equipe funciona.
Por essas e outras tantas razões não contempladas neste texto, minha eterna gratidão a essas quatro mulheres, mestras de seus conhecimentos específicos, damas que valem ouro pelo seu ser e seu fazer. A elas todo meu respeito e admiração.
18 de setembro de 2010
Malaquias e a Maratona das Vagas Residuais

No primeiro semestre de 2010 esgotei minha cota de disciplinas como aluna especial da graduação (a UFBA permite cursar até seis disciplinas da graduação, não importando o curso). Como há muito tempo venho enchendo o saco do universo, eis a notícia mágica: pela primeira vez, a Escola de Dança abriria vagas residuais! Foram disponibilizadas apenas 6 vagas e a prioridade sempre para alunos de outro curso que desejem fazer transferência interna. Continuei enchendo o saco do universo e mais o vez ele conspirou a meu favor: nenhuma solicitação de transferência interna!
Fiz minha inscrição e outra boa surpresa: penas 6 canditados inscritos, ou seja, concorrência 1:1. Só se eu zera-se uma das três avaliações e isso, é claro, eu não deixaria acontecer. Sim, três avaliações. A primeira estava marcada para o dia 27/06 (pela tarde, graças a Deus!) e se constituía de uma redação, além de 35 questões V/F sobre a área de dança. Cada erro, além do ponto não conquistado, valia – 0,5pts. Sinceramente, não acho um critério justo, mas fazer o quê? Vestibular seria uma maratona pior, eu imaginava. Veja abaixo o conteúdo programático:
Conteúdo Programático
1. Dança e criação – a construção da obra de arte ( 1.1 Redes; 1.2 Working in progress; 1.2 Formatividade da obra de arte)
2. Dança como pensamento do corpo (2.1 – Corpomídia; 2.2 – Metáforas no/do corpo)
3. Dança e Identidade (3.1 - Processos identitários; 3.2 – Noção de pertencimento: local e global; 3.3 – Dança e hibridismo cultural)
Bibliografia
COHEN, R. Working in Progress na Cena Contemporânea.
DAMÁSIO, A. R. O erro de Descartes. Companhia das Letras, São Paulo, 1996.
__________________. O mistério da consciência. Companhia das Letras, São Paulo, 2000.
GREINER, C. O corpo: pistas para estudos indisciplinares. Annablume, São Paulo, 2005.
KATZ, H. Um, dois, três: a dança é o pensamento do corpo. FID, Belo Horizonte, 2005.
Com exceção do tópico 2, o resto era novidade para mim. Na manhã do dia 29/06 aconteceria a prova de prática e no dia 30/06, a prova de análise textual”, segundo descrição abaxo.
A avaliação constará de uma prova prática, com duração máxima de quatro horas, na qual serão observadas, através de experiências individuais e coletivas, a habilidade e a capacidade criativa do candidato no desenvolvimento de ações coreográficas em dança e de uma prova de análise textual, com duração máxima de quatro horas, cujos textos, que abordarão o universo da dança, estarão disponíveis no site da Escola de Dança da UFBA, com antecedência mínima de duas semanas em relação à data das provas. Serão disponibilizados três textos para leitura, dentre os quais, será escolhido, no dia da prova teórica, através de sorteio, apenas um deles para ser analisado.
Dia 17/06 a noite foi a apresentação da nossa coreografia no XIV Painel Performático. No dia seguinte estive na Escola de Dança em busca dos textos para a última avaliação. Vale ressaltar que estava acontecendo a ocupação Zé Celso, e a confusão era total. Os textos ainda não estavam disponíveis para fotocópia, mas um funcionário me mostrou que já havia colocado o link no site da Escola. Fiquei tranqüila e fui fuçar as pastas das disciplinas lá na xérox da Escola de Veterinária. Encontrei apenas o texto da Helena Kartz (cujo livro tentava comprar e não conseguia) na pasta do mestrado e fiz uma cópia. Chegando em casa, fui pesquisando na internet e levei o primeiro choque: o link continha apenas a referência dos textos para a prova de análise textual e não os arquivos, como eu esperava. Apelei para o google mas achei apenas algumas resenhas e comentários, porém nada sobre os textos da última avaliação, que eram os seguintes:
BRITTO, Fabiana. Carta de Des/Intenções; Canteiro de Obras; Como é o que Existe; Trajetória Histórica não é Processo Evolutivo; IN:Temporalidade em Dança: parâmetro para uma história contemporânea. Belo Horizonte: FID Editorial, 2006.
VIEIRA, Jorge. Teoria do Conhecimento e Arte. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2006 .
KATZ, Helena. Três Três Três IN: A Dança é o Pensamento do Corpo. Belo Horizonte: FID Editorial, 2005 .
Dia 18/06 comecei um processo gripal, que ainda que leve, comprometeu a minha disposição para os estudos. E assim passei meu feriado junino: em casa, lendo nos momentos em que a gripe deixava. Chega o dia 27/06. Com um campos tão grande, não sei porque a UFBA escolheu o Pavilhão de Aulas do Canela, onde é um tanto complicado para estacionar. Não pensei que haveria tanta gente. Na minha sala estavam reunidos os candidatos a uma vaga nos cursos de dança, música, teatro e artes visuais.
Minhas buscas na internet não foram em vão. Das 32 questões que respondi errei apenas uma, logo fiz 30,5pts (87%). O tema da redação foi “solidão”. Não entendi porque não deixaram a gente levar a prova, já que no dia seguinte sairia o gabarito. Bom, coisas da UFBA! No dia 29/07 lá vou eu, com o corpo ainda dormindo, fazer a prova prática (logo pela manhã. Socorro!). Um dos candidatos havia desistido. Tentando dissimular minha indisposição matinal, lá fui eu junto com os outros quatro, três garotas e um rapaz. A prova prática, apesar de cansativa, foi muito bem elaborada. Na hora da composição coletiva eu desejei que ninguém escolhesse se jogar no chão, mas foi pedir demais! No final do dia a banca nos orienta a trazer os três textos no dia seguinte, pois a prova seria feita com consulta de material. “MAS ONDE ESTÃO ESTES TEXTOS QUE EU PROCUREI E NÃO ACHEI?” Estão na portaria da Escola, me disse uma das alunas.
Sai como louca, peguei os textos e fui xerocar. Só que o dinheiro que eu tinha não era suficiente e eu tive que implorar para que abrissem uma exceção e me fizessem fiado que eu pagaria no dia seguinte, que era caso de VIDA ou MORTE! Deu 100 folhinhas, isso com letra pequena. Tudo bem, leio agora a tarde. Mas o resto da gripe e o desgaste físico fizeram com que eu me entregasse nos braços de Morfeu (ronc...ronc). E já que a prova seria com consulta, resolvi deixar para ler na hora da prova.
No dia seguinte, já na sala a coordenadora entra dizendo que o texto seria escolhido por sorteio, mas que não seria permitido consulta, conforme orientação da banca no dia interior. GELEI! Argumentei o que havia ocorrido, que dia 18/06 o texto ainda não estava disponível, etc, etc, etc. De nada adiantou. A coordenadora lamentou e me orientou a entrar com recurso caso me sentisse lesada. Comecei a me sentir mal, num misto de desespero, raiva, desilusão. Só me restava contar com a sorte. Eu tinha uma chance em três de não zerar a prova. Apelei com fé e...”O TEXTO SORTEADO FOI O DA HELENA KARTZ”. Salva pelo gongo!Quase chorei/gritei/pulei/dancei de alegria. Final (feliz) da história: todos os cinco candidatos aprovados! Fiquei em terceiro lugar, mas ficaria igualmente contente com o último!
“E Malaquias então cortou o galho, pegou o seu docinho de banana-da-terra, comeu muito satisfeito, lambeu os beiços...e só depois resolveu voltar para casa.”
27 de agosto de 2010
25 de junho de 2010
Corpos que Indagam: reflexões sobre dança como arte contemporânea
Nos intervalos dos bailes de dança de salão é muito comum casais ou grupo de casais apresentarem suas “coreografias de exibição”, onde movimentos, figurino e trilha sonora foram previamente definidos. Tais apresentações quase sempre me desagradam. Certa vez, durante uma conversa com outros praticantes das danças de salão, comentei tal insatisfação e não pude evitar comparar tais apresentações com outros espetáculos de dança que já assisti. Foi quando escutei a seguinte afirmação: “Mas é porque existe dança e dança de salão”.
Estimo que os espetáculos de dança contemporânea passaram a fazer parte do meu roteiro de lazer a, pelo menos, quinze anos. Desde então, tenho procurado assistir tudo o que tenho oportunidade. Alguns gosto, outros não. Talvez não compreenda maioria deles. Mas em geral há algo neste tipo de espetáculo que não encontro nas “coreografias de exibição” das danças de salão e que, durante muitos anos, não soube definir o que era.
Encontrei a solução para o meu enigma nas palavras exatas de Helena Kartz, professora e crítica de dança: “A dança que indaga cabe dentro da nomeação de contemporânea e a dança que não interroga seu público pertence à outra espécie”.1 Compreendi então que a minha insatisfação para com as apresentações de dança de salão advinham do fato delas apenas me oferecerem a confortável e entediante condição de espectador passivo, cuja única função é a observação contemplativa do que está sendo apresentado.
Na dança enquanto arte contemporânea, a idéia de espectador como “um sujeito-lugar onde ancora algo produzido fora dele” já não cabe, pois aquele que assisti é também co-criador, transformador e disseminador das informações que recebe, fazendo-se necessário uma apreciação investigativa para entender o que se passa. “A obra me pergunta e cabe a mim levantar hipóteses sobre ela... Parece que há mais a identificar do que o olho capta de imediato... Precisamos construir juntos a legenda do que se passa”. 1 Cada espectador é único, pois a nossa percepção de mundo é uma experiência individual e variável, construída a partir de uma seleção e de uma montagem do que estamos aptos a perceber e que media nossa relação com um ambiente também variável.
Faz-se necessário também uma outra compreensão de corpo. Na proposta de corpomídia, o corpo é entendido como “corpomídia de si mesmo”. 2 Mídia não como um meio de transmissão, mas como um estado do corpo. “O corpo é mídia desse seu estado, por isso é sempre mídia de si mesmo, de cada momento, o que equivale a dizer que ele sempre se apresenta com a coleção de informações que o constituem naquele exato momento. Por isso o corpo não é, o corpo está sendo corpo”. 2 Pensar que a informação se torna corpo traz conseqüências políticas, pois instaura a transitividade no lugar anteriormente ocupado pela noção de identidade.
Será possível então a dança de salão, enquanto técnica, ser utilizada dentro uma concepção contemporânea de dança? Ainda segundo Kartz, na dança contemporânea o mais importante é a forma como são organizadas as informações que vieram das técnicas aprendidas na coreografia. Ou seja, para a dança contemporânea, o “que” o corpo está fazendo (técnica utilizada) perde importância diante do “como e/ou para que” o corpo o está fazendo.
É preciso também deixar de pensar as técnicas como “uma bula de instruções das coreografias em que pode resultar, uma receita de um destino estético” e passar a compreendê-las como possibilidades de composição. Por isso, o simples reconhecimento da técnica utilizada não é suficiente para identificá-la como índice de vínculo para classificação do “tipo de dança”.
Dessa forma, além de comportar as mais diversas técnicas, a dança contemporânea permite o desenvolvimento de propostas pessoais mesmo que encarnadas em determinada técnica, pois “apesar da técnica inscrever marcas que dirigem o desempenho do corpo, os passos, gestos, seqüências e frases podem ser desmontadas e remontadas de modos diversos, desmanchando aquelas expectativas que o hábito automatizou em nós”. 1
Referências
1. KARTZ, HELENA. O corpo como mídia do seu tempo – A pergunta que o corpo faz. In: Rumos Itaú Cultural Dança, CD-ROM. São Paulo, 2004.
2. KARTZ, HELENA. Todo corpo é mídia. Com Ciência, Revista Eletrônica de Jornalismo SBPC, UNICAMP. Disponível em < http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=11&id=87 >. Acesso em 20/06/2010.
3. KARTZ, HELENA. O espectador da arte contemporânea. 2005 (referência não encontrada)